DEPOIMENTO DA CARLA, MÃE DO RENAN

A minha história não é diferente de nenhuma mãe que tenha um filho especial, Autista.
Primeiro ficamos grávidos. Criaram-se expectativas para os nomes, compramos roupinhas, qual seria o sexo, enfim todos os acessórios de uma futura mamãe.
Enfim nasce o herdeiro. Fizemos a festa de um ano… Até que notamos que o nosso filho em nada se parecia com os filhos das outras mães. Noites mal dormidas, quieto demais , não falava, ficava brincando sozinho, rejeitava os amiguinhos, não gostava de festas, multidões, muitos problemas em lugares públicos como mercado etc. O que fizemos, o que aconteceu, o que está errado?
O meu filho Renan sempre foi uma criança quieta, não

Carla e o filho Renan
dava um pingo de trabalho, eu até falava para as pessoas.

– “Ah! É para compensar o trabalho que o Rodrigo meu outro filho hoje com 11 anos, me deu !”
Até que decidi procurar uma fonoaudióloga, pois ele com dois anos não falava uma palavra, comia quando eu dava, não pedia, ou as vezes vinha quando ouvia o barulho da lata de bolacha ou leite.
A primeira fonoaudióloga não entendeu o meu filho e após 4 meses, desistiu do trabalho, falando sempre que não tinha horário.
A segunda fonoaudióloga pediu vários exames que deram sempre negativos e começou a fazer terapias mesmo antes da suspeita que ela tinha (autismo em grau leve).
Fez sessões com ele por 3 anos e ele sempre no infinito… até que um dia começou a falar. Tentei ocultar em minha mente a idéia dele ser autista, pois me sentia fraca demais para conviver com a idéia.
Até que um dia a fonoaudióloga me disse: “Carla agora você está preparada para ler esse livro”, que era o da Eliana Boralli.
Devorei o mesmo em 3 horas, linguagem fácil e éramos eu e o Renan os principais personagens (pois eram as situações em que vivíamos). Na época tinha 4 ½ anos.
Escrevi uma carta para a AUMA A/C da Eliana , até que ela me ligou e marcamos a entrevista. O Renan estava bem atacado da rinite a até achei que não iria conseguir fazer PEP-R (avaliação específica).
Deu tudo certo. Meu filho Renan entrou para a AUMA que é direcionada só para crianças autistas e com profissionais capacitados. Hoje ele é um autista de alto funcionamento, joga videogame, lê, conhece todos os países com suas respectivas capitais, está sendo alfabetizado e aprendendo história do Brasil.
Se relaciona muito bem com pessoas. Não deixou e nem vai deixar de ser autista, vai ser ele mesmo!!! Com suas verdadeiras características. Hoje sou uma mãe feliz, bem resolvida e o melhor que eu tenho a dizer, nunca desistam de seus filhos especiais ou achem que eles não são capazes, pois o Renan hoje prestes a fazer 09 anos é a prova de que nunca devemos parar e sim sempre acreditamos. Agradeço também a AUMA pois lá o Renan não é melhor nem pior que ninguém ele é igual a todos os alunos.

DEPOIMENTO DA FÁTIMA, MÃE DO HEITOR

Conhecemos a AUMA em 2001, quando tivemos a confirmação do diagnóstico do meu filho Heitor.
Na época ele tinha 07 anos de idade e desde os 04 anos estávamos lutando para saber exatamente qual era o seu diagnóstico, que se confirmou como autismo.
Ficamos um pouco perdidos, porque nunca medimos esforços para fazer o melhor para o Heitor, porém naquele momento não sabíamos que direção seguir.
Eu sou muito otimista e costumo dizer que tudo tem seu tempo e o tempo de Deus não é o mesmo que o nosso e nós tivemos a confirmação dessa verdade.

Fátima e o filho Heitor
Nessa mesma época eu recebi uma revista VEJA, onde

tinha um caderno especial que tratava das 400 instituições confiáveis no Brasil para as pessoas fazerem donativos, nela constava o noe da AUMA. Imediatamente liguei para AUMA, dentro de alguns dias eu e meu marido fomos conversar com a Eliana, a partir daí a nossa vida e principalmente a do Heitor mudou muito.
Quando eu e meu marido conversamos com Eliana, o meu filho tomava 03 tipos de medicamentos, sendo que um deles era um composto de 06 substâncias. Já estávamos preocupados com a dependência, com os efeitos colaterais que aqueles medicamentos poderiam causar. Com o incentivo da Eliana decidimos conversar com o médico e o Heitor deixou de usar qualquer medicamento, a não ser os “triviais” para as gripes, etc…
Para que possa entender o que vou relatar a seguir é bom dizer que, o meu filho falava, porém não era freqüente. Dificilmente ele pedia alguma coisa pelo nome, geralmente apontava o que queria. No que diz respeito a escola, apesar de já ter freqüentado outras escolas desde 02 anos de idade, nunca ele fez em casa qualquer referência a algo ou alguma coisa que tivesse acontecido durante a “aula”, quando conversávamos a respeito disso com professores, psicólogos e outros, todos diziam que o Heitor era uma criança extremamente seletiva e que não misturava escola com casa.
Na primeira semana em que o Heitor começou a freqüentar a AUMA ele começou a falar em casa: – “Quadrado, eu sei”. Apesar de ainda não estar trabalhando em sala de aula, ele ouviu a professora Silvia com outra criança e mostrou em casa.
O Heitor foi um caso difícil para as pessoas da AUMA, uma vez que além da grande resistência em relação ao aprendizado, ele também era agressivo, e eu sei que muitas vezes bateu e arranhou a professora. Mas a fé, a persistência, e principalmente o respeito pelo ser humano que merecia ser feliz tratado com amor e dignidade, foram os pontos que nortearam o trabalho com ele.
Enfim, após quase 03 anos na AUMA, as mudanças que aconteceram são tantas que seria preciso o dobro do que já foi escrito para relatar. Para resumir, hoje o Heitor é uma criança bastante independente, alegre, que muitas vezes nos surpreende com alguns comentários, como diz a Eliana ele é solidário, extremamente afetuoso, carinhoso e principalmente muito feliz.
Todas as noites quando rezamos, (ele aprendeu na escola a fazer o sinal da cruz e dizer “Amém”), e pedimos proteção a todos ele fala “- A escola”, quando vamos a alguma festa na escola ele fala “- Que maravilha!”e bate palmas.
Eu sei que ainda não existe uma cura para o autismo, mas eu aprendi com a Eliana que autismo é um jeito de ser, e que devemos respeitar esse jeito de ser como faríamos com qualquer pessoa, não devemos lutar para tentar muda-los, devemos trabalhar para melhorar a qualidade de vida da pessoa autista, respeitando-a, amando-a para que ela seja feliz com muita dignidade.
Quando o Heitor foi para AUMA a Eliana, me disse para ficar tranqüila porque lá ele estaria bem, eu que já vinha de outras escolas, cansada de promessas disse a ela que só acreditaria quando ele me dissesse, pois hoje, eu tenho absoluta convicção que ele está no lugar certo e que ele está muito bem, pois ele “fala” isso ao sorrir sempre que diz:
“- A Escola”.